XIII Colóquio Internacional

Tradição e Modernidade no Mundo Ibero-Americano

 

12 a 14 de novembro de 2018 | Casa da Escrita, Coimbra

 

P R O G R A M A

 

12 de novembro de 2018

 
10h00 Conferência de Abertura
No bicentenário da revolução liberal: o difícil caminho da democracia liberal em Portugal
Vital Moreira (UC)

11h00 SIMPÓSIO Dinâmicas da cooperação cultural ibero-americana
Coord.:
Cristiane Oliveira (UC)

Desenvolvimento, mercado cultural global e as redes de difusão artístico-culturais
Cristiane Oliveira (UC)

2C”N-CLab Working Day – Projetos Culturais em Rede a partir dos contextos Lusófono e Ibero-americano
Manuel Gama (Universidade do Minho)

La acción cultural exterior de España: el contexto europeo e ibero-americano
Ángel Badillo Matos (USAL)

Ação Cultural Externa: o espaço ibero-americano
Cristina Caetano (Instituto Camões)

13h00 Almoço
 
15h00 SIMPÓSIO Intelectuais, educação, projetos nacionais e produção de subjetivações: tradição e modernidade no mundo ibero americano (séculos XVIII-XX)
Coord.: Adir da Luz Almeida (UERJ) Washington Cunha (UERJ)

50 anos da pedagogia do oprimido: educação, conscientização e romantismo revolucionário
Alexandre Esteves Rodrigues (ISERJ-FAETERJ)

O iberismo no pensamento de Sérgio Buarque de Holanda: pontos sobre a formação social do Brasil
Adir da Luz Almeida (UERJ)

Ribeiro Sanches: um intelectual da educação e seu projeto nacional
Carlota Boto (USP)

A educação e os tempos históricos na construção das subjetividades individuais e coletivas. Os valores e a democracia como imperativos
Emanuel Oliveira Medeiros (Universidade dos Açores)

A paideia euclidiana: esboços para o Brasil das margens
Anabelle Loivos Considera (UFRJ)

Letrados e artistas em ‘O Ano Biográfico Brasileiro’ (1876) de Joaquim Manoel de Macedo
Adjovanes Almeida (Colégio Pedro II)

Edmundo O’Gorman y la invención de América. Producción y subjetivación de una idea de América de siglo XX
Zuélika Martínez-Jimenez Pretelini (UACM | UC)

O Código Criminal do Império brasileiro (1830): intelectuais entre o poder local e o poder central
Washington Cunha (UERJ)
 

13 de novembro de 2018

10h00 SIMPÓSIO Narrativas contemporâneas sobre saúde e doenças: memórias, leituras e experiências entre o público e o privado, a cidadania e o favor
Coord.:
Ana L. Nemi (UNIFESP); Juan R Sánchez (USAL)

Práticas caritativas atlânticas: entre a compaixão e a saúde pública
Ana Nemi (UNIFESP)

Gênese, Planejamento e Implantação de Políticas de Saúde de Amplo Alcance no Brasil Segundo os Ministros da Saúde de 1996 a 2013
Danilo Brasileiro (USP); Maria Cristina Marques (USP)

Sinergias entre médicos, mulheres e indústria farmacêutica: uma história sobre a pílula anticoncepcional e o controle dos corpos femininos
Cristiane Cabral (USP); Francine Cavaliere (USP); Maria Cristina Marques (USP)

Íntimamente empoderadas: experiência de las mujeres con enfermedades ambientales
Cristina García (USAL); Juan Rodríguez-Sánchez (USAL)

Educação médico-sanitária paulista na primeira metade do século XX: reflexões sobre alguns agentes produtores de moralidades em torno da reprodução, da infância e da maternidade
Maria Cristina Marques (USP); Danilo Brasileiro (USP); Cristiane Cabral (USP)

Cuerpos intervenidos, voces silenciadas: el movimiento post-polio en la Península Ibérica
Juan Rodríguez-Sánchez (USAL); Inês Santos (ISMAI)

Imagens e narrativas da poliomielite: o Refúgio da Paralisia Infantil
Inês Santos (ISMAI); Juan Rodríguez-Sánchez (USAL)

12h00 Conferência
Liberalismo na América Ibérica: uma promessa impossível e indispensável
Rubem Barboza Filho (UFJF)

13h00 Almoço

15h00 SIMPÓSIO Projetos intelectuais, representações nacionais e liberalismo no mundo ibero-americano (séculos XIX-XX)
Coord.: Maria Emília Prado (UERJ); Maria Letícia Corrêa (UERJ)

La intelectualidad “prosoviética” en España. Carlos Tuya y la superación del capitalismo desarrollado (1973-1983)
Víctor Peña González (Universidade de Cádiz)

Representação da nação através de alteridade: ‘nacionais’ e ‘estrangeiros’ no Brasil republicano (inícios do século XX)
Lená de Menezes (UERJ)

O Liberalismo dependente: o Brasil e o modelo político de natureza colonial
Oswaldo Munteal Filho (UERJ)

A associação entre o vetor militar e a intelectualidade para a construção da identidade nacional brasileira no primeiro quartel do século XX
Misael do Amaral (Marinha do Brasil).

Processos avulsos. Histórias incompletas contadas nas páginas dos processos judiciais da cidade do Rio de Janeiro, capital da República do Brasil (1890-1916)
Jorge B. Fernandes (Secretaria de Educação, Angra dos Reis)

Educadores brasileiros, missões estrangeiras e (des)encontros culturais na universidade: um caso português
Débora Dias (CEIS20 | UNL)

18h00 Conferência
Política, economia e ideologia en el Mediterraneo en los siglos XX-XXI
Iztevan Szilágyi (Universidade de Pécs)
 

14 de novembro de 2018

10h00 SIMPÓSIO Dimensões do conceito de propriedade (séculos XIX-XXI). Diálogos interdisciplinares
Coord.: Beatriz Cerbino (UFF); Maria Leticia Corrêa (UERJ)

A autoria encarnada na dança: corpo e dramaturgia em cena
Beatriz Cerbino (UFF)

Autoria na produção de videodança
Leandro Mendonça (UFF)
 
A questão da autoria em uma sentença no Brasil
Jorge Luiz Cruz (UERJ)
 
Imprensa, liberalismo e propriedade no regime brasileiro do Estado Novo: perspectivas a partir da imprensa
Maria Letícia Corrêa (UERJ)
 
12h00 Conferência
Terras da rainha e as propriedades de Carlota Joaquina (Coimbra e Rio de Janeiro 1801-1830)
Márcia Motta (UFF)
 
13h00 Almoço
 
15h00 SIMPÓSIO Imagens pós-coloniais; anti-coloniais e decoloniais
Coord.: Michelle Sales (UFRJ); Sérgio D. Branco (UC)
 
As práticas artísticas contemporâneas e o pensamento pós-colonial e decolonial
Michelle Sales (UFRJ)

Paulo Freire, pedagogia radical e construção de imagens nas obras de Jonathas de Andrade e Catarina Simão
Cristiana Tejo (UNL)
 
Narrativas pós-coloniais no cinema da Guiné-Bissau
Paulo Cunha (UBI)
 
A ficção cinematográfica portuguesa colonial entre a tradição e a modernidade”
Jorge Seabra (CEIS20 | ESTA)
 
Tabu de Miguel Gomes (2012): um filme colonial, pós-colonial ou decolonial |descolonial?
Ana Cristina Pereira (Universidade do Minho)
 
17h00 Mesa Redonda
Liberdade, nação e civilização na construção intelectual da ibero-américa
Maria Emilia Prado (UERJ)
 
Trajetórias de intelectuais nos Dois Mundos
Maria Manuela Tavares Ribeiro (CEIS20 | UC)
 
18h00 Conferência de Encerramento
Las culturas políticas de la nueva izquierda (y sua derivas) en la Península Ibérica
Júlio P. Serrano (Universidade de Cádiz)
 

Mais informação:

A XIII edição do colóquio é consagrada ao tema:

“Dois séculos de liberalismo: formas de Estado, movimentos sociais, dispositivos de subjetivação”

É um tema da maior atualidade. Em linha com preocupações insistentes da historiografia atual, abrimos oportunidade para repensar o devir histórico de um longo período, particularmente complexo, nas suas promessas e conquistas, problemas, contradições e desaires.

O propósito geral é reunir contribuições que enriqueçam o conhecimento da complexiade do liberalismo como regime social e político, ordem de pensamento e atitude intelectual. A própria noção de liberalismo não deve ser considerada uma inequívoca e inquestionável referência, mas, um campo teórico e político polissémico, cujas configurações históricas tornam-se necessário analisar.

As propostas de comunicação podem ser submetidas até ao dia 10 de outubro diretamente aos coordenadores de simpósios/painéis.

Os coordenadores devem enviar as propostas aceites, bem como os resumos até o dia 20 de outubro para a coordenação geral através do e-mail:

coloquiotrad.modernidade@gmail.com

Inscrição com comunicação: 50 €
Inscrição sem comunicação: 15 €

Ficha de inscrição

 

SIMPÓSIOS/PAINÉIS APROVADOS

1 – INTELECTUAIS, EDUCAÇÃO, PROJETOS NACIONAIS E PRODUÇÃO DE SUBJETIVAÇÕES: TRADIÇÃO E MODERNIDADE NO MUNDO IBERO-AMERICANO (SÉCULOS XVIII-XX)

Eixo temático 04
Coordenadores:
Profª DrªAdir da Luz Almeida (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
adirluz@gmail.com
Prof. Dr.Washington Dener dos Santos Cunha (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
wdener@uol.com.br

Pesquisas sobre intelectuais estiveram por algum tempo no “limbo” dos trabalhos historiográficos. Jean- François Sirinelli ao estudar a trajetória, a rede de sociabilidade da geração francesa entre – guerras, aborda a delicadeza dessa temática na historiografia. Sirinelli chega a dizer que o lugar da história dos intelectuais é “o ângulo morto”. Dentro de projetos educacionais do século XVIII ao XX, os intelectuais, com diversas formações e concepções diferenciadas, buscavam estratégias e táticas para produzir e consolidar o ideal de “nação moderna” tendo como perspectiva central que a sociedade, em geral, aceitasse projetos sociais e educacionais, sob a lente do avanço. O “avanço civilizador”, dentro da representação circulante no período, tem como sentido retirar a nação do que era considerado “obscurantismo”; “crenças irracionais” e produzir um “ideário democrático” através da produção de subjetivações de novos modos de ser, viver, pensar. A proposta deste simpósio tem como objetivos acolher, apresentar e debater trabalhos que possam contribuir com um dos temas propostos pelo Colóquio Tradição e Modernidade, no caso, o tema Intelectuais e Projetos Nacionais tendo como vetor a Educação.

 
2 – NARRATIVAS CONTEMPORÂNEAS SOBRE SAÚDE E DOENÇAS: MEMÓRIAS, LEITURAS E EXPERIÊNCIAS ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO, A CIDADANIA E O FAVOR.

Eixo temático 03
Coordenadores:
Profª Drª Ana Lúcia Nemi. Universidade Federal de São Paulo.
ana.nemi@hotmail.om
Prof. Dr. Juan Antonio Rodríguez Sánchez- Faculdade de Medicina da Universidade de Salamanca

O mundo contemporâneo se constituiu entre a chamada crise de consciência europeia e os enraizamentos possíveis de novos mundos pautados na noção de cidadania, devendo esta se emblemar e legitimar em pactos políticos. Desde então, os serviços de atendimento à saúde que se foram instituindo ao longo dos séculos XIX e XX movimentaram-se entre ações de caridade e/ou de filantropia e entre ações consideradas privadas e/ou públicas. Reconstituir a histórias dessas experiências no mundo ibérico é tarefa tão difícil quanto fundamental. O objetivo deste simpósio é reunir pesquisadores que tenham se debruçado sobre memórias, leituras e experiências de agentes sociais implicados nesses processos, sejam médicos, pacientes, personagens do Estado ou comunidades. Acredita-se aqui que a história da saúde pública se escreve pelo diálogo entre muitos dos agentes envolvidos em relação ao seu tempo vivido, às memórias que construíram e às leituras coevas e posteriores, sendo esta dimensão de reconstrução de outras temporalidades elemento de compreensão também do tempo presente. Convidamos, assim, aos interessados em estudar o atendimento à saúde em suas dimensões pública e privada, em tempo longo e em perspectiva de diálogo entre distintas experiências reveladas em memórias, textos e imagens, a participar deste Simpósio.

3- LIBERALISMO OU FASCISMO ?

Eixo temático 01.
Coordenador:
Prof. Dr. Oswaldo Munteal Filho. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Faculdades integradas Hélio Alonso.
omunteal@gmail.com

Este Simpósio enfocará os dilemas das ideologias contemporâneas , em parte tributárias do pós guerra e em parte resultado de uma “Onda” (Alvin Tofler,1975)conservadora avassaladora no século XXI. O Simpósio pretende compreender este fenômeno político, o seu alcance Geo político e existencial , além das suas consequências éticas e estéticas . A fim de colmatar todas essas variações teóricas enfatizaremos os seguintes problemas conceituais: o pertencimento como alternativa à democracia representativa; o legado do liberalismo político e a crítica keynesiana laissez faire. Seria um novo “Fim do laissez-faire” (John Maynard Keynes,1924). Será o fascismo eterno ? (Umberto Eco,1990).

 

4 – DIMENSÕES DO CONCEITO DE PROPRIEDADE (SÉCULOS XIX-XXI) – DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES

Eixo Temático 02.
Profª Drª Beatriz Cerbino -Universidade Federal Fluminense
Profª Drª Maria Leticia Corrêa Universidade do Estado do Rio de Janeiro
leticiacorrea@globo.com

O painel/simpósio tem por objetivo discutir a historicidade do conceito de propriedade no mundo contemporâneo, a partir de comunicações de pesquisas empíricas e de análise historiográfica, em perspectiva interdisciplinar. Visa-se reunir estudos sobre temas como autoria, em sua relação com o trabalho artístico e intelectual, propriedade intelectual, técnica e tecnologia, imprensa e vulgarização, bem como sobre as dimensões jurídico-políticas que, no espaço ibero-americano, presidiram a conformação dos regimes de propriedade. Serão acolhidas, também, pesquisas sobre as dimensões propriamente econômicas do debate sobre a propriedade.

5 – PROJETOS  INTELECTUAIS, REPRESENTAÇÕES NACIONAIS E LIBERALISMO NO MUNDO IBERO-AMERICANO. SÉCULOS XIX E XX.

Eixo Temático. 04
Profª Drª Maria Emilia Prado- Universidade do Estado do Rio de Janeiro
emiliauerj@gmail.com
Profª Drª Maria Letícia Correa. Universidade do Estado do Rio de Janeiro
leticiacorrea@globo.com

O objetivo deste painel/simpósio  é recuperar criticamente o pensamento latino-americano dos séculos XIX e XX à luz das preocupações atuais que presidem a revisão da história intelectual. É importante destacar que os séculos XIX e XX foram marcados no mundo Ibérico – América Latina e Península Ibérica, pelos esforços para construção da modernidade, em diálogo com a tradição liberal que se firmava também na Europa e nos Estados Unidos. A atividade intelectual ficou plasmada por este debate. Revisitá-lo com outras concepções metodológicas pode contribuir para o debate atual sobre o papel da América Latina no mundo contemporâneo.

6 – LEIS, COSTUMES E MAIS ALÉM: AS PROPRIEDADES EM DEBATE (SÉCULO XIX E XX)

Eixo temático 02.
Profª Drª Marcia Mota. Universidade Federal Fluminense
menendesmotta9@gmail.com
Profª Drª Monica Piccolo. Universidade Federal Fluminense.
monica.piccolo@uol.com.br

As abordagens de Thompson sobre o direito e a lei são, a meu ver, uma das principais contribuições desse autor na historiografia contemporânea. Sem negar a sua função classista, E. Thompson considera que existe uma diferença entre o poder arbitrário e o domínio da lei. Neste sentido, “as formas e a retórica da lei adquirem uma identidade distinta que, às vezes, inibem o poder e oferecem alguma proteção aos destituídos” (THOMPSON, 1987:358). Assim, a definição precisa do que é um domínio – um direito exclusivo de propriedade – é o resultado não previsível, marcado por várias definições em confronto.

Apoiados na noção de que o costume se relacionava à posse imemorial, ele era, muitas vezes “crenças não escritas, normas sociológicas e usos asseverados na prática, mas jamais registrados por qualquer regulamento” (IDEM, 88). Diferentemente da Inglaterra, no entanto, nos países de língua portuguesa, os costumes ligados à terra eram mais do que tradições não escritas, pois muitos estavam registrados em antigas leis régias e algumas permaneceram no campo jurídico, mesmo após a independência das antigas colônias. De qualquer forma, sempre foi possível identificar os direitos dos pobres e, mesmo assim, criar mecanismos para impedir seu exercício.

As pesquisas aqui reunidas assumem a tarefa de discutir os embates no uso de documentos de propriedade na constituição – ou tentativa de – consagrar um “título legítimo” em oposição a outros tantos, considerados ilegais, ou em relação às ocupações de lavradores pobres, quase sempre identificados como invasores.

O presente plenário pretende, em suma, partir das ilações de E. Thompson para refletir sobre os jogos de poder que se instauram a respeito do direito de propriedade. Neste sentido, o esforço teórico estará direcionado para refazer o caminho luso-brasileiro que permitiu a consagração da propriedade, sem limites, em toda a sua plenitude, consagrando e naturalizando a ideia-chave de um “título legítimo”.