XIII Colóquio Internacional

Tradição e Modernidade no Mundo Ibero-Americano

12 a 14 de novembro de 2018 | Coimbra

 

            Chamada para apresentação de painéis/simpósios e Comunicações

                               

Em 2018 o Colóquio Tradição e Modernidade no Mundo Ibero-Americano vai decorrer nos dias 12, 13 e 14 de novembro de 2018 e integra-se na programação prevista para as comemorações do vigésimo aniversário do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX. 

Desde 2004, este evento tem promovido o encontro de centenas de investigadores que se dedicam à História Intelectual e à História dos Intelectuais no espaço europeu e no espaço latinoamericano.

As comissões organizadora e científica de Tradição e Modernidade no Mundo Ibero-Americano convidam a comunidade científica a promoverr a organização de painéis, a apresentar comunicações e a participar ativamente nas conferências e nas mesas redondas previstas.

A XIII edição do colóquio é consagrada ao tema:

“Dois séculos de liberalismo: formas de Estado, movimentos sociais, dispositivos de subjetivação”

É um tema da maior atualidade. Em linha com preocupações insistentes da historiografia atual, abrimos oportunidade para repensar o devir histórico de um longo período, particularmente complexo, nas suas promessas e conquistas, problemas, contradições e desaires.

O propósito geral é reunir contribuições que enriqueçam o conhecimento da complexiade do liberalismo como regime social e político, ordem de pensamento e atitude intelectual. A própria noção de liberalismo não deve ser considerada uma inequívoca e inquestionável referência, mas, um campo teórico e político polissémico, cujas configurações históricas tornam-se necessário analisar.

As propostas de comunicação podem ser submetidas até ao dia 10 de outubro diretamente aos coordenadores de simpósios/painéis.

Os coordenadores devem enviar as propostas aceites, bem como os resumos até o dia 20 de outubro para a coordenação geral através do e-mail:

coloquiotrad.modernidade@gmail.com

Inscrição com comunicação: 50 €
Inscrição sem comunicação: 15 €

Ficha de inscrição

 

SIMPÓSIOS/PAINÉIS APROVADOS

1 – INTELECTUAIS, EDUCAÇÃO, PROJETOS NACIONAIS E PRODUÇÃO DE SUBJETIVAÇÕES: TRADIÇÃO E MODERNIDADE NO MUNDO IBERO-AMERICANO (SÉCULOS XVIII-XX)

Eixo temático 04
Coordenadores:
Profª DrªAdir da Luz Almeida (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
adirluz@gmail.com
Prof. Dr.Washington Dener dos Santos Cunha (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
wdener@uol.com.br

Pesquisas sobre intelectuais estiveram por algum tempo no “limbo” dos trabalhos historiográficos. Jean- François Sirinelli ao estudar a trajetória, a rede de sociabilidade da geração francesa entre – guerras, aborda a delicadeza dessa temática na historiografia. Sirinelli chega a dizer que o lugar da história dos intelectuais é “o ângulo morto”. Dentro de projetos educacionais do século XVIII ao XX, os intelectuais, com diversas formações e concepções diferenciadas, buscavam estratégias e táticas para produzir e consolidar o ideal de “nação moderna” tendo como perspectiva central que a sociedade, em geral, aceitasse projetos sociais e educacionais, sob a lente do avanço. O “avanço civilizador”, dentro da representação circulante no período, tem como sentido retirar a nação do que era considerado “obscurantismo”; “crenças irracionais” e produzir um “ideário democrático” através da produção de subjetivações de novos modos de ser, viver, pensar. A proposta deste simpósio tem como objetivos acolher, apresentar e debater trabalhos que possam contribuir com um dos temas propostos pelo Colóquio Tradição e Modernidade, no caso, o tema Intelectuais e Projetos Nacionais tendo como vetor a Educação.

 
2 – NARRATIVAS CONTEMPORÂNEAS SOBRE SAÚDE E DOENÇAS: MEMÓRIAS, LEITURAS E EXPERIÊNCIAS ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO, A CIDADANIA E O FAVOR.

Eixo temático 03
Coordenadores:
Profª Drª Ana Lúcia Nemi. Universidade Federal de São Paulo.
ana.nemi@hotmail.om
Prof. Dr. Juan Antonio Rodríguez Sánchez- Faculdade de Medicina da Universidade de Salamanca

O mundo contemporâneo se constituiu entre a chamada crise de consciência europeia e os enraizamentos possíveis de novos mundos pautados na noção de cidadania, devendo esta se emblemar e legitimar em pactos políticos. Desde então, os serviços de atendimento à saúde que se foram instituindo ao longo dos séculos XIX e XX movimentaram-se entre ações de caridade e/ou de filantropia e entre ações consideradas privadas e/ou públicas. Reconstituir a histórias dessas experiências no mundo ibérico é tarefa tão difícil quanto fundamental. O objetivo deste simpósio é reunir pesquisadores que tenham se debruçado sobre memórias, leituras e experiências de agentes sociais implicados nesses processos, sejam médicos, pacientes, personagens do Estado ou comunidades. Acredita-se aqui que a história da saúde pública se escreve pelo diálogo entre muitos dos agentes envolvidos em relação ao seu tempo vivido, às memórias que construíram e às leituras coevas e posteriores, sendo esta dimensão de reconstrução de outras temporalidades elemento de compreensão também do tempo presente. Convidamos, assim, aos interessados em estudar o atendimento à saúde em suas dimensões pública e privada, em tempo longo e em perspectiva de diálogo entre distintas experiências reveladas em memórias, textos e imagens, a participar deste Simpósio.

3- LIBERALISMO OU FASCISMO ?

Eixo temático 01.
Coordenador:
Prof. Dr. Oswaldo Munteal Filho. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Faculdades integradas Hélio Alonso.
omunteal@gmail.com

Este Simpósio enfocará os dilemas das ideologias contemporâneas , em parte tributárias do pós guerra e em parte resultado de uma “Onda” (Alvin Tofler,1975)conservadora avassaladora no século XXI. O Simpósio pretende compreender este fenômeno político, o seu alcance Geo político e existencial , além das suas consequências éticas e estéticas . A fim de colmatar todas essas variações teóricas enfatizaremos os seguintes problemas conceituais: o pertencimento como alternativa à democracia representativa; o legado do liberalismo político e a crítica keynesiana laissez faire. Seria um novo “Fim do laissez-faire” (John Maynard Keynes,1924). Será o fascismo eterno ? (Umberto Eco,1990).

 

4 – DIMENSÕES DO CONCEITO DE PROPRIEDADE (SÉCULOS XIX-XXI) – DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES

Eixo Temático 02.
Profª Drª Beatriz Cerbino -Universidade Federal Fluminense
Profª Drª Maria Leticia Corrêa Universidade do Estado do Rio de Janeiro
leticiacorrea@globo.com

O painel/simpósio tem por objetivo discutir a historicidade do conceito de propriedade no mundo contemporâneo, a partir de comunicações de pesquisas empíricas e de análise historiográfica, em perspectiva interdisciplinar. Visa-se reunir estudos sobre temas como autoria, em sua relação com o trabalho artístico e intelectual, propriedade intelectual, técnica e tecnologia, imprensa e vulgarização, bem como sobre as dimensões jurídico-políticas que, no espaço ibero-americano, presidiram a conformação dos regimes de propriedade. Serão acolhidas, também, pesquisas sobre as dimensões propriamente econômicas do debate sobre a propriedade.

5 – PROJETOS  INTELECTUAIS, REPRESENTAÇÕES NACIONAIS E LIBERALISMO NO MUNDO IBERO-AMERICANO. SÉCULOS XIX E XX.

Eixo Temático. 04
Profª Drª Maria Emilia Prado- Universidade do Estado do Rio de Janeiro
emiliauerj@gmail.com
Profª Drª Maria Letícia Correa. Universidade do Estado do Rio de Janeiro
leticiacorrea@globo.com

O objetivo deste painel/simpósio  é recuperar criticamente o pensamento latino-americano dos séculos XIX e XX à luz das preocupações atuais que presidem a revisão da história intelectual. É importante destacar que os séculos XIX e XX foram marcados no mundo Ibérico – América Latina e Península Ibérica, pelos esforços para construção da modernidade, em diálogo com a tradição liberal que se firmava também na Europa e nos Estados Unidos. A atividade intelectual ficou plasmada por este debate. Revisitá-lo com outras concepções metodológicas pode contribuir para o debate atual sobre o papel da América Latina no mundo contemporâneo.

6 – LEIS, COSTUMES E MAIS ALÉM: AS PROPRIEDADES EM DEBATE (SÉCULO XIX E XX)

Eixo temático 02.
Profª Drª Marcia Mota. Universidade Federal Fluminense
menendesmotta9@gmail.com
Profª Drª Monica Piccolo. Universidade Federal Fluminense.
monica.piccolo@uol.com.br

As abordagens de Thompson sobre o direito e a lei são, a meu ver, uma das principais contribuições desse autor na historiografia contemporânea. Sem negar a sua função classista, E. Thompson considera que existe uma diferença entre o poder arbitrário e o domínio da lei. Neste sentido, “as formas e a retórica da lei adquirem uma identidade distinta que, às vezes, inibem o poder e oferecem alguma proteção aos destituídos” (THOMPSON, 1987:358). Assim, a definição precisa do que é um domínio – um direito exclusivo de propriedade – é o resultado não previsível, marcado por várias definições em confronto.

Apoiados na noção de que o costume se relacionava à posse imemorial, ele era, muitas vezes “crenças não escritas, normas sociológicas e usos asseverados na prática, mas jamais registrados por qualquer regulamento” (IDEM, 88). Diferentemente da Inglaterra, no entanto, nos países de língua portuguesa, os costumes ligados à terra eram mais do que tradições não escritas, pois muitos estavam registrados em antigas leis régias e algumas permaneceram no campo jurídico, mesmo após a independência das antigas colônias. De qualquer forma, sempre foi possível identificar os direitos dos pobres e, mesmo assim, criar mecanismos para impedir seu exercício.

As pesquisas aqui reunidas assumem a tarefa de discutir os embates no uso de documentos de propriedade na constituição – ou tentativa de – consagrar um “título legítimo” em oposição a outros tantos, considerados ilegais, ou em relação às ocupações de lavradores pobres, quase sempre identificados como invasores.

O presente plenário pretende, em suma, partir das ilações de E. Thompson para refletir sobre os jogos de poder que se instauram a respeito do direito de propriedade. Neste sentido, o esforço teórico estará direcionado para refazer o caminho luso-brasileiro que permitiu a consagração da propriedade, sem limites, em toda a sua plenitude, consagrando e naturalizando a ideia-chave de um “título legítimo”.